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O Peso Invisível do Autismo: Um Clamor por Compreensão e Empatia

Tudo começou com um sussurro: “Ele é diferente”. Depois veio o laudo, um impacto que reverberou em minha alma. Meu coração negava, minha mente se rebelava: “Eu vou reverter isso”. Mas então, ouvi a sentença que mudaria minha vida para sempre: “É severo, grau 3”.

O choque, a negação, o medo. E minha companheira, em meio ao desespero, afirmando com esperança: “Ele vai falar, ele será verbal”. Mas os dias foram se acumulando, virando anos, e as palavras nunca vieram.

Vieram, sim, as idas e vindas. Primeiro, a APAE. Depois, a AMA. Terapias, consultas, psiquiatras. Mas nada apagava a angústia de ver meu filho aprisionado em um mundo só dele, inatingível para mim. Tentei de tudo. Consegui um plano de saúde, investi em mais terapias. Pequenos avanços, sim, mas ele continuava “diferente” aos olhos do mundo. Dez anos se passaram. Dez longos anos. Meu filho ainda não fala.

Uma única vez, ele me chamou de “papai”. Uma única vez.

E assim fui descendo as escadas da escuridão, me tornando um prisioneiro do isolamento e da dor. A sociedade se afastou. Os amigos desapareceram. A família fechou as portas. “Quem quer essa herança?”, pareciam perguntar. Afinal, ele não oferece nada em troca, apenas trabalho e despesas.

Mas eu fiquei. Por amor. Um amor sobrenatural, inexplicável, que me sustenta mesmo quando o mundo me vira as costas. Um amor que me faz suportar os olhares tortos na fila do supermercado, quando um homem cruel grita comigo porque estou segurando meu filho em meio a uma crise. Um amor que me faz resistir às palavras frias da pastora que sugeriu que eu amarrasse meu filho a uma cadeira para que ela pudesse pregar em paz. Um amor que me fortalece quando somos expulsos de uma igreja porque meu menino não consegue ficar parado.

Autismo não é privilégio. Não é um “benefício” por estar em uma fila preferencial. Não é frescura. É uma realidade dura, solitária e cheia de desafios. Meu filho já foi agredido. Já foi rejeitado. Já foi invisibilizado. E tudo isso porque o mundo perfeito não quer lidar com o que não pode compreender.

Neste mês de conscientização do autismo, deixo aqui o meu clamor: sejam humanos. Entendam que Deus permitiu que meu filho nascesse assim e que cabe a nós, como sociedade, protegê-lo, apoia-lo e inclui-lo.

A você que nos julga, que nos evita, que nos ignora: tente, por um momento, se colocar no meu lugar. Tente imaginar como é viver sabendo que, quando eu partir, meu filho estará sozinho em um mundo que não o quer.

Para quem nunca o conheceu, seu nome é Cristian Jesus Argenton. E enquanto eu viver, ele terá um pai.

Mas e depois? Quem estará lá por ele?

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